Para uma crise não surgir novamente em 2019, por exemplo, precisamos como sociedade depurar os falsos profetas dos cientistas sérios, para não disseminar pânico novamente. Pedro Malan, em artigo hoje no Estado de São Paulo, finalmente admite que "
O combate ao pânico avassalador que tomou conta dos mercados financeiros em 2008, foi feito a custa de uma historicamente sem precedentes intervenção do poder público".
Malan não explica a causas do pânico avassalador e como evitá-los no futuro, mas fica claro que uma das lições desta crise deveria começar por aí.
Quem disseminou o pânico avassalador? Não foram os bancos, porque nestas horas eles ficam quietos. Dizem justamente o contrário, que tudo está bem.
Quem saiu na Bloomberg afirmando que "200 bancos estão quebrados?" Dizer que quebraram depois do pânico gerado não é previsão.
No Brasil, seria preso como qualquer um que gritasse "fogo" em recinto público.
Pior é a insistência em continuar a entrevistar este fulano.
Primeiro, foi ele que disse que seria um longo L. Recessão com longa cauda de estagnação.
Depois quando o V se confirmou, ele dizia que era na realidade um W. Que também não veio.
Como o V não pára de crescer a sua segunda perna, agora ele prevê uma BOLHA, que vai romper em fevereiro ou março de 2010.
Pode até ser, continuando assim um dia ele acerta, mas não está na hora de questionar as falsas profecias?
Compare a afirmação em 2006 de Roubini, "vai haver um crise", com a minha previsão em 2007 na Revista Veja "que os bancos deixarão de emprestar 3 trilhões de dólares em 2008, um tiro no pé", se não mudarem as regras da Basiléia?
Não mudaram as regras, e agora a culpa é da ganância dos administradores dos bancos? E a culpa é dos bônus espetaculares?
Por que nenhum governo contratou especialistas em pânico de massas, para debelá-lo?
Nenhuma agência de propaganda americana foi contratada por Ben Bernanke, nenhuma empresa de relações públicas americana foi contratada, nenhum marqueteiro americano foi contratado para debelar o pânico financeiro e o pânico de perder emprego que continua até hoje. Por quê, não?
Bernanke preferiu emitir moeda a rodo, salvando o câmbio e deprimindo o dólar para fazer dumping cambial. E, é eleito o homem do ano?
No Brasil, 35% dos brasileiros ainda temem perder seu emprego nos próximos 12 meses, nos Estados Unidos deve ser 80%, mas lá esta pesquisa sequer é realizada pelo IBGE americano.
Por quê, não?
Como é possível 80% e aqui 35% acharem que vão perder o emprego? Lá o emprego se mantém finalmente, e aqui está crescendo.
Porque o pânico avassalador nem foi diagnosticado como o verdadeiro problema desde o início, somente agora ele é reconhecido por ex-ministros como Pedro Malan.
Antes tarde do que nunca, mas precisamos criar forças tarefas e planos contingenciais, para estarmos preparados no futuro.
Eu pessoalmente entreguei um plano destes ao ex-ministro Palocci, em 2008, que continha 3 pontos.
1. Isenção de FGTS a todas as empresas que comunicarem aos seus funcionários que não iriam demitir durante a crise. (40% das empresas cresceram em 2009, e portanto aceitariam o compromisso, o que reduziria o "pânico avassalador" em 40%, pelo menos)
2. Isenção de IR 37% das empresas que
reinvestissem os seus lucros em 2009. Taxar lucro reinvestido já é uma loucura tributária,
mas taxar lucro reinvestido no meio de uma recessão é suicídio. Reinvestindo, que recado as empresas estariam transmitindo aos seus funcionários?
3. Isenção de IR na fonte sobre aplicações financeiras das empresas. Como fundos de pensão que não são taxados, por que não isentar reservas financeiras das empresas?
Como são taxadas em 40%, a maioria das empresas distribuem estas reservas como dividendos, um tiro no pé.
E, quando os funcionários percebem que as empresas não têm reservas para pagar salários nos próximos 12 meses, surge o pânico avassalador citado pelo Pedro Malan.
Economistas precisam perceber que a ciência econômica parou no tempo, e que não serão suas soluções do passado, como maciça intervenção governamental que resolverá o problema.
Pânico não é um problema resolvido pela ciência econômica, pelo contrário. Os 8 planos econômicos que foram implantados no Brasil nos últimos 20 anos é que geraram pânico, fuga de capitais, dólar nas nuvens, etc.
Precisamos de equipes multidisciplinares no governo, que saibam lidar com todos os aspectos de um problema. Com administradores, relações públicas, marqueteiros econômicos, diretores de RH, enfim, o óbvio.