Esta queda de 0,8% não é queda propriamente dita. É "carry over" da queda de 3,6% do PIB de 2008. Explico.
Economistas confundem jornalistas e a si próprios quando comparam PIB's anuais, semestrais e trimestrais, uma vez que estão comparando o meio de um trimestre com o outro trimestre, e não com o final dos semestres ou trimestres.
Neste caso, a queda do PIB de 15 de novembro até 31 de dezembro não entra no cálculo, e fica para o trimestre seguinte. Isso que fica para o trimestre seguinte é o "carry over".
Não temos os dados, mas, grosso modo, o PIB no primeiro trimestre CRESCEU 2,0%. Vide o gráfico ao lado.
A seta azul de queda de 3,6% é a queda do PIB no quarto trimestre de 2008 (veja os números aqui). E ficou sem ser noticiado o aumento de 2,0%, que pode ser até um aumento de 2,8%.
O dado que todos os jornais e economistas estão deivulgando é a seta em vermelho, de 15 de novembro até 15 de fevereiro, a "média" dos trimestres. A diferença varia entre 3,6% e 2,8%.
O que economistas e jornalistas NÃO estão publicando nem percebendo é o aumento de 2% a 2,8% do PIB em janeiro de 2009. Após uma queda de 3,6%, a única maneira de o resultado final ser de apenas -0,8% é ter havido um crescimento de 2,0% em janeiro.
-3,6 (novembro e dezembro) + 2,0 (janeiro) = -0,8 (trimestre)
Seguindo a mesma advertência, informamos, em fevereiro, que o setor automobilístico crescera 92%.
A FGV e o economista Celso Pastore estão totalmente equivocados ao afirmarem que estamos em recessão técnica por conta de dois trimestres recessivos. A recessão foi só no quarto trimestre de 2008.
Ou seja, nossos comentaristas econômicos estão noticiando o mesmo fato -- relativo a dezembro de 2008 -- uma dezena de vezes.
Atenção, Procon, Observatório da Imprensa, ecologistas, Ombudsman da Folha...
Leia também o nosso post de 28 de fevereiro, em que tratamos da mesma questão.
Economia - Último Segundo - PIB tem queda de 0,8% no primeiro trimestre e Brasil entra em recessão.
Economia - Último Segundo - PIB tem queda de 0,8% no primeiro trimestre e Brasil entra em recessão.
"Melhor que o esperado: A maior parte dos economistas de mercado aguardava uma retração do PIB entre 1,5% e 2% frente ao último trimestre de 2008 e até 2,8% frente ao primeiro período de 2008"