Excelente a matéria do ValorInveste de Novembro, por Raquel Balarin, que conta "A história não contada do ataque especulativo ao Unibanco". Ataque que disseminou a ideia entre nós, que a crise americana havia contaminado o Brasil.
Não deixem de ler, deveria fazer parte de todo curso de Cidadania e Filosofia. Sim, porque mostra como todos nós precisamos analisar fatos corretamente, antes de sair correndo por aí dizendo que um banco está quebrado e sacando depósitos sem ter as informações corretas.
Quando um ataque especulativo contamina a população, a diretoria da empresa ou banco ficam indefesas. Qualquer comunicado pedindo calma ou mostrando o verdadeiro lado, é interpretado como sinal de fraqueza ou desespero, o que piora a situação.
No caso do Unibanco, fica claro que nenhuma das razões apontadas como "ganância", "alavancagem", "lucros", fez parte desta crise. O Unibanco, por ser um banco pertencente a uma família, era justamente o contrário; conservador, pouco alavancado e crescendo moderadamente, mas consistentemente.
Não farei um resumo do artigo porque ele tem de ser lido, darei somente as minhas conclusões.
Não dá para regulamentar o sistema bancário, como muitos querem, chega a um ponto que a própria regulamentação pode atrapalhar o sistema.
Ataques ocorrem porque em curto espaço de tempo não é possível ter todas as informações, e muitos dos participantes deste caso tinham informações parciais, e inferiram incorretamente o resto.
1. Como o Unibanco é o mais internacionalizado, foi o banco que mais fez depósitos de margem na BMF na área de câmbio, inclusive para proteger seu próprio patrimônio no exterior.
Isto foi visto como problema, ninguém percebendo que o Unibanco estava ganhando fortunas com seus ativos no exterior com a valorização do dólar. Ao contrário das empresas de commodities que especularam e perderam fortunas com o câmbio. Erroneamente, alguns acharam que o Unibanco tinha mais problemas do que os demais bancos. Erro: o Unibanco tinha mais patrimônio no exterior do que os demais bancos.
2. No dia 22 de outubro sai a Medida Provisória 443, autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar bancos com dinheiro a vista. Isto foi visto como sendo uma operação de socorro do governo para salvar bancos brasileiros quebrados.
Numa entrevista, uma autoridade do governo parece que, por lapso, até comentou que a Medida permitiria comprar um grande banco.
Foi uma surpresa geral para o mercado, ninguém imaginava que bancos brasileiros estavam quebrados, muito menos um grande banco.
Na realidade, a Medida foi feita não para salvar bancos, mas para viabilizar a venda da Nossa Caixa de São Paulo, para o governo Federal, algo que já vinha sendo discutido há anos entre São Paulo e Brasília. Nada a ver com a crise, portanto.
Mas leis precisam ser gerais e não específicas, e muitos interpretaram erroneamente a MP e o Unibanco passou a ser considerado o banco em questão.
3. A lei ou regulamentação exige silêncio do banco por 15 dias antes da publicação do Balanço, programada para o dia 6 de Novembro.
No 20º dia em diante, o Unibanco por lei é obrigado a se manter quieto, a não dar nenhuma informação ao mercado. Justamente quando informações seriam importantes.
Foi quando eles decidiram antecipar a publicação do balanço, para poderem novamente se comunicar. Mas a antecipação gerou mais problemas previsíveis. "Por que anteciparam? "
4. É permitido aos bancos alugar e vender ações de outros bancos, e recomprar de volta quando as ações despencarem, no que muitos apostaram.
A questão de permitir ou não o aluguel e venda de ações apostando na baixa, é controversa, porque piora ainda mais os mercados em pânico. Mas neste caso, parece que uma futura regra é necessária. Bancos não poderiam alugar e vender ações de concorrentes, porque seria conflito de interesse e sinalização péssima para o mercado.
5. O Unibanco tinha um programa de recompra de ações, que ele aumentou rapidamente no meio da crise. Mas um banco concorrente achou que o Unibanco havia utilizado a totalidade de seu limite (anterior) estatutário, e que portanto a ação despencaria logo em seguida. Informação parcial novamente com graves consequências.
O artigo da Raquel Balarin precisa rapidamente se tornar um Case Study nas escolas de Administração e Economia, para mostrar como é perigoso regulamentar demais as instituições, achando que os executivos dos bancos são um bando de gananciosos e incompetentes. No caso do Unibanco, os incompetentes foram os outros, fora do banco, que não souberam analisar corretamente os fatos, e entraram em pânico.
Agora, imagine se no Brasil tivéssemos um Nouriel Roubini que foi à televisão dizer que "200 bancos americanos estão quebrados, mas por ética não posso dizer quais são". Imaginem o que teria acontecido com o nosso sistema financeiro.
Quando um ataque especulativo contamina a população, a diretoria da empresa ou banco ficam indefesas. Qualquer comunicado pedindo calma ou mostrando o verdadeiro lado, é interpretado como sinal de fraqueza ou desespero, o que piora a situação.
No caso do Unibanco, fica claro que nenhuma das razões apontadas como "ganância", "alavancagem", "lucros", fez parte desta crise. O Unibanco, por ser um banco pertencente a uma família, era justamente o contrário; conservador, pouco alavancado e crescendo moderadamente, mas consistentemente.
Não farei um resumo do artigo porque ele tem de ser lido, darei somente as minhas conclusões.
Não dá para regulamentar o sistema bancário, como muitos querem, chega a um ponto que a própria regulamentação pode atrapalhar o sistema.
Ataques ocorrem porque em curto espaço de tempo não é possível ter todas as informações, e muitos dos participantes deste caso tinham informações parciais, e inferiram incorretamente o resto.
1. Como o Unibanco é o mais internacionalizado, foi o banco que mais fez depósitos de margem na BMF na área de câmbio, inclusive para proteger seu próprio patrimônio no exterior.
Isto foi visto como problema, ninguém percebendo que o Unibanco estava ganhando fortunas com seus ativos no exterior com a valorização do dólar. Ao contrário das empresas de commodities que especularam e perderam fortunas com o câmbio. Erroneamente, alguns acharam que o Unibanco tinha mais problemas do que os demais bancos. Erro: o Unibanco tinha mais patrimônio no exterior do que os demais bancos.
2. No dia 22 de outubro sai a Medida Provisória 443, autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar bancos com dinheiro a vista. Isto foi visto como sendo uma operação de socorro do governo para salvar bancos brasileiros quebrados.
Numa entrevista, uma autoridade do governo parece que, por lapso, até comentou que a Medida permitiria comprar um grande banco.
Foi uma surpresa geral para o mercado, ninguém imaginava que bancos brasileiros estavam quebrados, muito menos um grande banco.
Na realidade, a Medida foi feita não para salvar bancos, mas para viabilizar a venda da Nossa Caixa de São Paulo, para o governo Federal, algo que já vinha sendo discutido há anos entre São Paulo e Brasília. Nada a ver com a crise, portanto.
Mas leis precisam ser gerais e não específicas, e muitos interpretaram erroneamente a MP e o Unibanco passou a ser considerado o banco em questão.
3. A lei ou regulamentação exige silêncio do banco por 15 dias antes da publicação do Balanço, programada para o dia 6 de Novembro.
No 20º dia em diante, o Unibanco por lei é obrigado a se manter quieto, a não dar nenhuma informação ao mercado. Justamente quando informações seriam importantes.
Foi quando eles decidiram antecipar a publicação do balanço, para poderem novamente se comunicar. Mas a antecipação gerou mais problemas previsíveis. "Por que anteciparam? "
4. É permitido aos bancos alugar e vender ações de outros bancos, e recomprar de volta quando as ações despencarem, no que muitos apostaram.
A questão de permitir ou não o aluguel e venda de ações apostando na baixa, é controversa, porque piora ainda mais os mercados em pânico. Mas neste caso, parece que uma futura regra é necessária. Bancos não poderiam alugar e vender ações de concorrentes, porque seria conflito de interesse e sinalização péssima para o mercado.
5. O Unibanco tinha um programa de recompra de ações, que ele aumentou rapidamente no meio da crise. Mas um banco concorrente achou que o Unibanco havia utilizado a totalidade de seu limite (anterior) estatutário, e que portanto a ação despencaria logo em seguida. Informação parcial novamente com graves consequências.
O artigo da Raquel Balarin precisa rapidamente se tornar um Case Study nas escolas de Administração e Economia, para mostrar como é perigoso regulamentar demais as instituições, achando que os executivos dos bancos são um bando de gananciosos e incompetentes. No caso do Unibanco, os incompetentes foram os outros, fora do banco, que não souberam analisar corretamente os fatos, e entraram em pânico.
Agora, imagine se no Brasil tivéssemos um Nouriel Roubini que foi à televisão dizer que "200 bancos americanos estão quebrados, mas por ética não posso dizer quais são". Imaginem o que teria acontecido com o nosso sistema financeiro.