Henrique Meirelles não deve estar contente com a solução para a poupança imposta pela Fazenda.
O que era uma aplicação simples ficou complicada e laboriosa.
Agora, brasileiros precisarão digitar na declaração de imposto de renda 1,8 bilhões de dígitos para poderem saber quanto deverá ser o imposto de renda da caderneta a ser pago no ajuste anual.
O cálculo do número de dígitos é assim. A média da caderneta é de R$ 416,56, 5 dígitos vezes 12 meses, vezes duas cadernetas em média por família, vezes 15 milhões de contribuintes do IR. O tempo e o dedo são do contribuinte. Se tivermos que digitar também os juros pagos, o número vai para 3 bilhões. Haja dedo...
Em vez de simplesmente baixar o juro real da caderneta para 5%, num primeiro momento, e para 4% num segundo momento, simplesmente dizendo que o mundo mudou e que ser simplesmente capitalista está cada vez mais difícil, a Fazenda inventou uma fórmula que nem PhD em Administração entende.
Pelo que eu entendi, e posso estar errado, o Imposto de Renda da Poupança será uma função de:
F=(Taxa Selic, Deflator de Desconto, Montante da Poupança, Rendimentos Tributáveis em Geral)
Ou seja, ninguém mais vai saber qual é a taxa de juros depois do IR antes da aplicação, mais um fator de incerteza: Isto você saberá somente ex-post, em abril de cada ano, na hora de calcular o Imposto de Renda.
Na renda fixa, o imposto é tributação exclusiva; desconta-se na fonte. É o banco que paga e fim de papo.
Eu vou imediatamente fechar a minha poupança só para não ter complicações com imposto a pagar no futuro. Não quero ter de lidar com a possibilidade de ter um erro questionado 5 anos depois, quando a memória da gente não se lembra de mais nada.
Quero simplificar minha vida, e sugiro que todos façam o mesmo.
Fechem suas cadernetas de poupança e simplifiquem a sua vida. O juro já é baixo, e a taxação da renda fixa é de 15% e deverá cair. Para a maioria dos leitores de BQDC, a taxação foi aumentada para 27%.
Lula se assessorou mal nesta questão. Quem prejudicou os pobres por 8 anos foi o governo FHC, que pagava juros reais de 10 a 18% para os bancos, mantendo em 6% os juros da caderneta.